Poetas tem por dever
eternizar o efêmero:
Um sorriso que nunca mais será o mesmo
e até mesmo o que há de ruim...
Marmorizar um acidente,
um amanhecer de ressaca,
os olhos da menina,
cílios inacreditáveis...
Meditar escatologicamente
sobre essa praga de piercing no umbigo,
trazer de longe lembranças quando o presente for pobre,
prever o futuro, que ainda pode ser mudado.
Possibilidades de insônia
e muita fome nesse banquete que é a vida
em tudo espalhando tempero
irritando narizes sensíveis,
só de ver o gosto
de tantos seres sem sal
provando o que lhes falta...
A revolta muda
e o céu claro
para poder cantá-la.
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