Levanta tua mão
soca o ar!
Tudo quanto oprime e
dura, apressa a
hora de acabar.
Em queda livre
o vento, o amor,
o sentimento, a dor
vive.
Esse momento é teu,
não há quem te prive.
poesiacronicaerenitente
esse blog é um apanhado de poesias e alguns textos em prosa escritos mais ou menos desde 1993 até hoje, sem qualquer outra ordem senão aquela em que vou encontrando no meio da papelada toda antes que mofe ou desmanche ou vire cinza ( costumava fazer muito isso com o que escrevia ). P.s. recomendo a leitura do avesso, da postagem mais antiga pra mais nova ( lua o primeiro )
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Abre a janela para entrar o amor
ilumina todos os cantos de mim,
até onde causa dor.
Ressoa ainda o grito
de súplica aos céus
para que mandasse
uma cortininha, black-out,
ou véu, pra evitar todo o transtorno
dos sonhos, desejos, ardores,
no peito o espelho pequeno
miríades de reflexos
vapores...
Risco de explosões e tudo.
Melhor fechar bem lacrado...
O mais inteligente é mudo.
ilumina todos os cantos de mim,
até onde causa dor.
Ressoa ainda o grito
de súplica aos céus
para que mandasse
uma cortininha, black-out,
ou véu, pra evitar todo o transtorno
dos sonhos, desejos, ardores,
no peito o espelho pequeno
miríades de reflexos
vapores...
Risco de explosões e tudo.
Melhor fechar bem lacrado...
O mais inteligente é mudo.
O tato mais elaborado dos dentes da frente
é o mais propício para o ventre úmido, e um
som rítmico ao fundo...
Caracóis de fumaça espiralada
obsequioso oráculo...
Cravo com moderada força,
o suficiente para arrancar-lhe
alguns gemidos apenas.
Isso sem falar de tanto malabarismo
pra chegar ao lugar de sempre
o mesmo compasso
o abraço
o jeito que digo e faço
o que você também quer...
Fecho os olhos
e uma lágrima dormente
teima em não cair.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Não lhe devo, não lhe quero
como o pão que sova
cresce quieto,
e inquieto em sua agonia
de ficar grande para ir ao fogo...
Sempre trago umas ilusões
de pouca valia, e as distribuo
prodigamente, na esperança de
que voltem mais vivas, e vivo
mais de sonho que de vigília,
do encontro a breve despedida
deixa leve a alma,
descomprometida...
Mais valia, sem exame microscópico
do fugaz calor no plexo solar
ao gerar um sorriso e assim
modelar no granito da lembrança
nada mais que nós.
como o pão que sova
cresce quieto,
e inquieto em sua agonia
de ficar grande para ir ao fogo...
Sempre trago umas ilusões
de pouca valia, e as distribuo
prodigamente, na esperança de
que voltem mais vivas, e vivo
mais de sonho que de vigília,
do encontro a breve despedida
deixa leve a alma,
descomprometida...
Mais valia, sem exame microscópico
do fugaz calor no plexo solar
ao gerar um sorriso e assim
modelar no granito da lembrança
nada mais que nós.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
ALQUIMIA
Quem extrai o sublime do chorume e da lida,
e da planta venenosa faz o óleo que cura a ferida...
No céu cinzento enxerga
a chuva que lava e alimenta,
ao sofrer um golpe
não se entrega, aguenta...
Pode sofrer, pois é forte
por mais que chore, tem sorte,
desfruta da vida
sorri para a morte.
e da planta venenosa faz o óleo que cura a ferida...
No céu cinzento enxerga
a chuva que lava e alimenta,
ao sofrer um golpe
não se entrega, aguenta...
Pode sofrer, pois é forte
por mais que chore, tem sorte,
desfruta da vida
sorri para a morte.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
evangelho
- Você pode sentir?
- Sentir o que?
- Um eclipse às avessas está pra acontecer...
- É? Quando?
- Pra ontem.
- Sentir o que?
- Um eclipse às avessas está pra acontecer...
- É? Quando?
- Pra ontem.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
bom dia
Te desejo o orvalho molhado das manhãs!
E o caminhar sem pressa, o vento no rosto.
O amor sem medo, olhar sem segredo,
a plena consciência de que a vida é boa
e que ainda é cedo!
E o caminhar sem pressa, o vento no rosto.
O amor sem medo, olhar sem segredo,
a plena consciência de que a vida é boa
e que ainda é cedo!
sábado, 10 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
BUSCA ( ou " quem guarda o que não presta tem quando precisa.")
A superstição boba de se guardar chaves
sem saber, qual porta ou cadeado
se pode abrir
leva invariavelmente pára-labirintos,
onde esquecidos de bater antes de entrar,
procura-se
recompensa-se
encontra-se perdido.
sem saber, qual porta ou cadeado
se pode abrir
leva invariavelmente pára-labirintos,
onde esquecidos de bater antes de entrar,
procura-se
recompensa-se
encontra-se perdido.
sábado, 8 de maio de 2010
RISCOS
Riscos
Não se pode correr riscos
Me disseram...
Com riscos são feitos os diamantes...
Caso não saiba,
Riscos bem fininhos,
Chama-se lapidar,
Por isso brilha,
E corta fundo.
Essa que é a graça da coisa toda.
Por que rosas sem espinhos são rosas castradas.
Boneca de pano e strepogyldofinn
Não se pode correr riscos
Me disseram...
Com riscos são feitos os diamantes...
Caso não saiba,
Riscos bem fininhos,
Chama-se lapidar,
Por isso brilha,
E corta fundo.
Essa que é a graça da coisa toda.
Por que rosas sem espinhos são rosas castradas.
Boneca de pano e strepogyldofinn
segunda-feira, 3 de maio de 2010
deveras
certezas são abstrações falhas
têm erros em suas construções
são seus tijolinhos por assim dizer...
Os erros são os tijolinhos
com que se constroem
os castelos das certezas,
na verdade tijolinhos bem pequenos
e esfericos
encontrados em desertos e praias.
têm erros em suas construções
são seus tijolinhos por assim dizer...
Os erros são os tijolinhos
com que se constroem
os castelos das certezas,
na verdade tijolinhos bem pequenos
e esfericos
encontrados em desertos e praias.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A casa vazia
Como com saudades da mobília
Mas cheia de ar, que já
Correu tanto
De vácuo, nada quase
Caminho leve
Onde quer que o caminho esteja,
Passa ao lado dela
Quem por ele anda
Não repara na cor apagada
Mas ainda bela
Só sente-se atraído
Pela cortina agitada pelo
Solitário habitante
A fazer reflexo
Na janela.
Como com saudades da mobília
Mas cheia de ar, que já
Correu tanto
De vácuo, nada quase
Caminho leve
Onde quer que o caminho esteja,
Passa ao lado dela
Quem por ele anda
Não repara na cor apagada
Mas ainda bela
Só sente-se atraído
Pela cortina agitada pelo
Solitário habitante
A fazer reflexo
Na janela.
domingo, 28 de março de 2010
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Infalíveis
Nuvem pesada
tem água e fogo
no jogo do nada
perco e sufoco
o pó da estrada
o papo calado
de olhos apenas...
Brincadeira de meninas
doces cortando
pano pra cobrir
a feia boneca
que era da avó...
Dor ancestral de sonhar
com o que faz sofrer.
Os infalíveis estão todos enterrados
ou por nascer.
tem água e fogo
no jogo do nada
perco e sufoco
o pó da estrada
o papo calado
de olhos apenas...
Brincadeira de meninas
doces cortando
pano pra cobrir
a feia boneca
que era da avó...
Dor ancestral de sonhar
com o que faz sofrer.
Os infalíveis estão todos enterrados
ou por nascer.
sábado, 24 de outubro de 2009
Pense um instante
no caos reinante
no conteúdo do vento
desde o início dos tempos
se puder, repare
apesar da falta de tempo
no olhar morto
de quem se desconhece
de quem nem sequer
foi apresentado a si mesmo
oração ao léu
talvez chegue ao céu
sem quebrar
um óculos caia no chão
para usar
e ver as coisas coisas
como realmente são.
no caos reinante
no conteúdo do vento
desde o início dos tempos
se puder, repare
apesar da falta de tempo
no olhar morto
de quem se desconhece
de quem nem sequer
foi apresentado a si mesmo
oração ao léu
talvez chegue ao céu
sem quebrar
um óculos caia no chão
para usar
e ver as coisas coisas
como realmente são.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
oraçãozinha
Trazei-nos o orvalho dourado das manhãs! Ocupa-nos com trabalho digno, cada qual conforme sua espécie. Bronzeia nossa pele de luz invisível para que possamos aguentá-la sem câncer e sua dor. Dá-nos o descanso de caminhar sem ânsia, o anseio de lutar por todos, contra ninguém. A luta justa como jogo de xadrez, o caminho perfeitamente trilhável, a desnecessidade de abrir trilhas, e mesmo nessas o sentido de direção. Não se escuta, ouvidos moucos, ainda que pareça o nada não contém tudo em potencial, não o nada que conhecemos, é um nada algo mais, nada plus. Nada que tal e pá. Nada tudo de bom. Nada super, nada extra- light, nada ultrazum, nada parangulê balacobaco, telecoteco, é o nada que há!
Tá.
A palavra cerca-viva é engraçada. Nada que lhe subtraia a realidade, é claro. Óbvio que a falta de assunto numa conversa importante dá o que pensar...
Mesmo assim, se insiste, pois gente é assim mesmo, paga pra ver, cantarola uma música, e o ar estúpido com que se olha para o horizonte médio faria
rir apenas os mau-humorados, biliosos e inertes.
Se fosse pretexto para começar alguma coisa, que sustentabilidade
haveria, mesmo com pilares hercúleos?
Quimeras, tudo isso.
Mas se você me quiser hoje, te dou um pouco do meu tédio rebatizado de
amor.
Continue aqui comigo, pra sempre...
Experimente mais de duas horas.
Vamos lá, só mais uma...
Me dê a mão.
Delícia isso de tudo-nada.
Mesmo assim, se insiste, pois gente é assim mesmo, paga pra ver, cantarola uma música, e o ar estúpido com que se olha para o horizonte médio faria
rir apenas os mau-humorados, biliosos e inertes.
Se fosse pretexto para começar alguma coisa, que sustentabilidade
haveria, mesmo com pilares hercúleos?
Quimeras, tudo isso.
Mas se você me quiser hoje, te dou um pouco do meu tédio rebatizado de
amor.
Continue aqui comigo, pra sempre...
Experimente mais de duas horas.
Vamos lá, só mais uma...
Me dê a mão.
Delícia isso de tudo-nada.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
.......
Como uma pena oscilando entre o
sonho e o real
um agradável distúrbio,
curto-circuito cerebral...
vulnerabiliza
e faz corar a doce colegial.
sonho e o real
um agradável distúrbio,
curto-circuito cerebral...
vulnerabiliza
e faz corar a doce colegial.
......
Energia química transformada numa gota de suor...
Galanteio psíquico que se reflete em
pestanas oscilantes, num inescrupuloso
abre-fecha-adapta-expõe-dispõe-sorri.
E quem sabe até morder seus dentes
como um torta de maçã
e quem sabe ver o sol poente
como quem vê o clarear da
manhã.
Galanteio psíquico que se reflete em
pestanas oscilantes, num inescrupuloso
abre-fecha-adapta-expõe-dispõe-sorri.
E quem sabe até morder seus dentes
como um torta de maçã
e quem sabe ver o sol poente
como quem vê o clarear da
manhã.
HUMILDINHO
Toda vez que escrevo em bares, parece uma afronta
a tantos magníficos planaltos sem nome
a todas as rochas que cantam apanhando do mar
a todas as árvores de três andares com galhos confortáveis.
Mas é apenas a presunção de um poeta tosco
a ilusão de que sentem minha falta.
a tantos magníficos planaltos sem nome
a todas as rochas que cantam apanhando do mar
a todas as árvores de três andares com galhos confortáveis.
Mas é apenas a presunção de um poeta tosco
a ilusão de que sentem minha falta.
MAIS UMA AINDA SEM TÍTULO (aceito sugestões hehe)
A voz do grande cansaço
numa bituca pela metade
o sonho pelo começo...
o começo do fim.
Parece que nem sei
o tão estranho
tamanho medo de acordar...
O pálido delinquente
em silêncio
espera o merecido reconhecimento
da sua falta.
numa bituca pela metade
o sonho pelo começo...
o começo do fim.
Parece que nem sei
o tão estranho
tamanho medo de acordar...
O pálido delinquente
em silêncio
espera o merecido reconhecimento
da sua falta.
CURITIBA, 16 DE JANEIRO DE 2004
A paz disse: - Eu não volto mais
enquanto não vier me buscar.
Que sandice, o alto e o baixo iguais
mas tão bom de se apreciar...
Mulher forte, calma e sonhadora
navega em um mar de emoção
vento na alma chega batendo
vento na alma chega batendo
rápido como um tiro
proveito da paz
por isso ela me disse:
- Eu não volto mais
Enquanto não vier me buscar.
Que sandice o alto e o baixo iguais
mas tão bom de se apreciar...
O esforço pra se fazer compreender
nos torna intraduzíveis
só quero poder o possível
já que nada impossível é
vento na alma batendo
vento na alma chega batendo
rápido como um tiro
rápido como um tiro
proveito da paz
por isso ela disse:
Eu te quero muito mais.
enquanto não vier me buscar.
Que sandice, o alto e o baixo iguais
mas tão bom de se apreciar...
Mulher forte, calma e sonhadora
navega em um mar de emoção
vento na alma chega batendo
vento na alma chega batendo
rápido como um tiro
proveito da paz
por isso ela me disse:
- Eu não volto mais
Enquanto não vier me buscar.
Que sandice o alto e o baixo iguais
mas tão bom de se apreciar...
O esforço pra se fazer compreender
nos torna intraduzíveis
só quero poder o possível
já que nada impossível é
vento na alma batendo
vento na alma chega batendo
rápido como um tiro
rápido como um tiro
proveito da paz
por isso ela disse:
Eu te quero muito mais.
.....
E era claro
e suave
e calmo
e tonto
e tanto que nem sei
o quanto era, eras inteiras levaria
pra chegar até agora
só pra amassar
e jogar fora.
e suave
e calmo
e tonto
e tanto que nem sei
o quanto era, eras inteiras levaria
pra chegar até agora
só pra amassar
e jogar fora.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
.....
Alguma coisa toma forma, e torna a se perder.
O motivo da procura da paz, na loucura, é a vontade de mudar,
nem que seja pra sofrer.
Qualquer coisa de quente, indefinido, como o sol, queimando o chão,
por não ter mais nada que fazer.
Nunca mais pedi perdão, nunca mais medi você por dentro,
já que é impossível.
E assim que a dor crescer, petrificar, vai começar tudo de novo.
Assustei você, sempre faço isso, é proteção.
É preciso aprender a viver com sua sorte e maldição, e eu não sei...
Vamos parar por aqui, antes que seja hora de dizer adeus
e não tenhamos tempo de partir.
Ou quem sabe sempre fomos um só, e tudo se torne desnecessário
e um olhar só baste para fazer lembrar o que não sabemos.
Ou não queremos saber.
O motivo da procura da paz, na loucura, é a vontade de mudar,
nem que seja pra sofrer.
Qualquer coisa de quente, indefinido, como o sol, queimando o chão,
por não ter mais nada que fazer.
Nunca mais pedi perdão, nunca mais medi você por dentro,
já que é impossível.
E assim que a dor crescer, petrificar, vai começar tudo de novo.
Assustei você, sempre faço isso, é proteção.
É preciso aprender a viver com sua sorte e maldição, e eu não sei...
Vamos parar por aqui, antes que seja hora de dizer adeus
e não tenhamos tempo de partir.
Ou quem sabe sempre fomos um só, e tudo se torne desnecessário
e um olhar só baste para fazer lembrar o que não sabemos.
Ou não queremos saber.
PASSEIO NO CAMPO SANTO
No campo, as flores. Algumas belas, outras nem tanto.
Mais ao canto, pedras que faltam...
Efemérides gravadas em bronze roubado.
Anotadas errado, aliás.
Um vão por onde se nota
como a vida continua.
Tanto trabalho para esconder o que é tão normal
normal esconder também.
E sem uma bússola acerta
desde que haja sorte
a boca da cova aberta
a mão fechada da morte
e suave sono sem sonhos
e pesadelos medonhos
e curriculum vitae celeste
se espalhou amor ou peste
o veredicto, bendito ou maldito,
quem sabe ser um jacaré
ser algo mais do que já é...
Gélido porto com vento
para velas estufadas, lufando
mas,
enquanto dá tempo,
não flutuo, vou caminhando.
Mais ao canto, pedras que faltam...
Efemérides gravadas em bronze roubado.
Anotadas errado, aliás.
Um vão por onde se nota
como a vida continua.
Tanto trabalho para esconder o que é tão normal
normal esconder também.
E sem uma bússola acerta
desde que haja sorte
a boca da cova aberta
a mão fechada da morte
e suave sono sem sonhos
e pesadelos medonhos
e curriculum vitae celeste
se espalhou amor ou peste
o veredicto, bendito ou maldito,
quem sabe ser um jacaré
ser algo mais do que já é...
Gélido porto com vento
para velas estufadas, lufando
mas,
enquanto dá tempo,
não flutuo, vou caminhando.
....
Destarte, se morre.
Come-se o homem sem nome
será nobre morrer de fome?
Em meio aos canibais
quem segura a flor
é o prato principal
recebe a dor
como a luz
e arroto verdades.
Come-se o homem sem nome
será nobre morrer de fome?
Em meio aos canibais
quem segura a flor
é o prato principal
recebe a dor
como a luz
e arroto verdades.
...
Você já chorou de raiva?
Notou que não dela se chora,
mas por não poder.
Se livrar,
até.
Que passe, vazando até entupir o nariz.
Notou que não dela se chora,
mas por não poder.
Se livrar,
até.
Que passe, vazando até entupir o nariz.
DESPERDÍCIO
Abre-se a alma, a mão, o coração,
o baú, o baralho, o programa, o segredo,
a cabeça...
Pra fechar tudo depois
mais bem guardado
do que se joga fora
com raiva
ou saudade.
o baú, o baralho, o programa, o segredo,
a cabeça...
Pra fechar tudo depois
mais bem guardado
do que se joga fora
com raiva
ou saudade.
FUNÇÃO POÉTICA DA ARTE
A rima, sem toque de pedra, ensina a substituir
e adaptar o que se revela na queda.
Frio na barriga também.
e adaptar o que se revela na queda.
Frio na barriga também.
ODE À BYRON
Também sou romântico.
Já cantei amores esquecidos
ou impossíveis,
e já destilei meu veneno
a tão sonhada cicuta...
Já sonhei com tuberculose
e me apaixonei por uma prostituta
que enaltecia com sublime canto
depois de um beijo de chiclete
a língua que não conhecia até então.
Também fui covarde
já quis mais uma dose,
já fiz alarde,
e com pompa e circunstância
prostado ante o negro ídolo,
lembrando da infância
cantei mediocridades
que hoje penduro na sala
quando espero visitas indesejadas.
Já cantei amores esquecidos
ou impossíveis,
e já destilei meu veneno
a tão sonhada cicuta...
Já sonhei com tuberculose
e me apaixonei por uma prostituta
que enaltecia com sublime canto
depois de um beijo de chiclete
a língua que não conhecia até então.
Também fui covarde
já quis mais uma dose,
já fiz alarde,
e com pompa e circunstância
prostado ante o negro ídolo,
lembrando da infância
cantei mediocridades
que hoje penduro na sala
quando espero visitas indesejadas.
PUTZ
Rasgava vermelha de raiva o vestido
me mate, me bata, me faça fazer sentido
pede,implora, exige
até planeja
verdades ou mentiras
que justifiquem
tudo
quanto
almeja.
me mate, me bata, me faça fazer sentido
pede,implora, exige
até planeja
verdades ou mentiras
que justifiquem
tudo
quanto
almeja.
CAMINHEMOS
Sente como o sol sai sem fazer alarde
e muda tudo ao redor
a verdadeira força não impõe,
apenas é.
E ser é mais do que isso,
vinde, vinde, já é tempo...
Já é tempo mas nunca terá sido,
sempre será.
Nunca terá sido, mas o que esperar?
O vento sopra onde quer,
Mas não pense que lhe falta direção...
Nem por um momento
critique a direção do vento
nem tampouco o tome por guia
guia mais seguro mora em ti...
Que fala manso, fala baixo,
mas não mente.
Belos erros acertados de repente
caminha, sente o vento,
vá em frente.
e muda tudo ao redor
a verdadeira força não impõe,
apenas é.
E ser é mais do que isso,
vinde, vinde, já é tempo...
Já é tempo mas nunca terá sido,
sempre será.
Nunca terá sido, mas o que esperar?
O vento sopra onde quer,
Mas não pense que lhe falta direção...
Nem por um momento
critique a direção do vento
nem tampouco o tome por guia
guia mais seguro mora em ti...
Que fala manso, fala baixo,
mas não mente.
Belos erros acertados de repente
caminha, sente o vento,
vá em frente.
BÚSSOLA?
No blues cadenciado
a dor fica quase de lado
porque ubíqua.
Um trago ajuda
mas pode levar
até quem não vem
só pensa e goza
sem agir
perdeu-se no labirinto
ou sabe bem bem mesmo
onde vai.
a dor fica quase de lado
porque ubíqua.
Um trago ajuda
mas pode levar
até quem não vem
só pensa e goza
sem agir
perdeu-se no labirinto
ou sabe bem bem mesmo
onde vai.
SANGUE
Sangue, sangue,
desde que o mundo
é ele
corre e não se esgota.
De onde vem, pra onde vai,
só um pedaço do rio permite dizer:
-De lá pra cá.
Vida também atravessa tudo...
A velha com a foice
é só a rival
sinal do que não há
assombrando tudo que existe.
desde que o mundo
é ele
corre e não se esgota.
De onde vem, pra onde vai,
só um pedaço do rio permite dizer:
-De lá pra cá.
Vida também atravessa tudo...
A velha com a foice
é só a rival
sinal do que não há
assombrando tudo que existe.
Curitiba, 13 de novembro de 2007
Imatéria desconexa precisando de síntese.
Explosiva conversa que irrompe
em alguns raios de luz e faíscas.
Dínamo da proto-ternura
através da meia lua
se não inflama, supura
além da casa escura
em que desfruto desse hoje
qual vertigem que atinge
o tão mal falado
famigerado
destoante centro de gravidade.
Explosiva conversa que irrompe
em alguns raios de luz e faíscas.
Dínamo da proto-ternura
através da meia lua
se não inflama, supura
além da casa escura
em que desfruto desse hoje
qual vertigem que atinge
o tão mal falado
famigerado
destoante centro de gravidade.
..
Durmam, enquanto é dia.
E sem buscar o que te encontra
pisando leve
sobre o sólido e tardio...
Abraçar duas ou três pessoas
sem amá-las por toda a vida
mas, antes, pelo gosto
da surpresa
do simples
do sempre limite
do quando onde
amor tece a teia indolente
onde se pode folhear livros amarelos
que surpreendem, surpreendem
contando velhas histórias poeirentas
sobre o lugar mais úmido...
lindas palavras quaisquer
pérolas, lilases a desabrochar
que também murcham...
Mas basta de tempo e lonjura
aposta comigo
dessa vez ganhamos
ou perdemos as calças.
E sem buscar o que te encontra
pisando leve
sobre o sólido e tardio...
Abraçar duas ou três pessoas
sem amá-las por toda a vida
mas, antes, pelo gosto
da surpresa
do simples
do sempre limite
do quando onde
amor tece a teia indolente
onde se pode folhear livros amarelos
que surpreendem, surpreendem
contando velhas histórias poeirentas
sobre o lugar mais úmido...
lindas palavras quaisquer
pérolas, lilases a desabrochar
que também murcham...
Mas basta de tempo e lonjura
aposta comigo
dessa vez ganhamos
ou perdemos as calças.
PLANO DE AÇÃO DE UM MALUCO QUE ESPERA
Amanhã acordo às seis,
faço tudo igual.
Até mesmo o descompasso respiratório
toda vez que sentir qualquer coisa diferente.
Assim posso refletir ( refletir )
e tirar minhas próprias conclusões - que já possuo,
citar shaekespeare ou palavrões ( eu rio )
enquanto espero e suo.
faço tudo igual.
Até mesmo o descompasso respiratório
toda vez que sentir qualquer coisa diferente.
Assim posso refletir ( refletir )
e tirar minhas próprias conclusões - que já possuo,
citar shaekespeare ou palavrões ( eu rio )
enquanto espero e suo.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
ÁGUA
A força com que corre o sangue
faz pensar
no caminho tão longo
a percorrer
em relacionamentos tão improváveis
ulterior reparação
isolamento,
contatos menos reprováveis
ascendendo fortalecido
incontáveis reticências, incongruências, dicotomias
descargas elétricas e acidentes
água pura a levar adiante
garganta abaixo
a imagem da terra
vista de cima, pela nuvem
o escuro da fonte, a nascente brilhante
e tudo...
Só pra estar ali.
faz pensar
no caminho tão longo
a percorrer
em relacionamentos tão improváveis
ulterior reparação
isolamento,
contatos menos reprováveis
ascendendo fortalecido
incontáveis reticências, incongruências, dicotomias
descargas elétricas e acidentes
água pura a levar adiante
garganta abaixo
a imagem da terra
vista de cima, pela nuvem
o escuro da fonte, a nascente brilhante
e tudo...
Só pra estar ali.
DURMA COM OS ANJOS
Cabeça, pé,mão,
Caule, raiz e passarinho.
Baixo, violão e flauta.
Cerveja, cigarro e fumaça.
Tapa, abraço e saudação.
Vento, passo e canção.
Remédio, cura e doença.
O pai, a amiga e a bêncão.
Calmo, sincero e assertivo.
Cachorro, cocô e latido.
Água, pedra e mudança.
cama, cortina, e criança.
O tempo, o aço e o céu.
A noiva, o cabaço e o véu.
Sede, sorvete e espirro...
-Boa noite, amor.
Caule, raiz e passarinho.
Baixo, violão e flauta.
Cerveja, cigarro e fumaça.
Tapa, abraço e saudação.
Vento, passo e canção.
Remédio, cura e doença.
O pai, a amiga e a bêncão.
Calmo, sincero e assertivo.
Cachorro, cocô e latido.
Água, pedra e mudança.
cama, cortina, e criança.
O tempo, o aço e o céu.
A noiva, o cabaço e o véu.
Sede, sorvete e espirro...
-Boa noite, amor.
auto retrato
A meio caminho entre o berço e a tumba
meio expectador, meio protagonista,
meio desleixado, meio entusiasta de
sistemas rígidos,
longe de poder descansar despreocupado...
Para-se-pergunta-se com ar acabrunhado:
-Pra que lado?
meio expectador, meio protagonista,
meio desleixado, meio entusiasta de
sistemas rígidos,
longe de poder descansar despreocupado...
Para-se-pergunta-se com ar acabrunhado:
-Pra que lado?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
ENSAIOZINHO
Poetas tem por dever
eternizar o efêmero:
Um sorriso que nunca mais será o mesmo
e até mesmo o que há de ruim...
Marmorizar um acidente,
um amanhecer de ressaca,
os olhos da menina,
cílios inacreditáveis...
Meditar escatologicamente
sobre essa praga de piercing no umbigo,
trazer de longe lembranças quando o presente for pobre,
prever o futuro, que ainda pode ser mudado.
Possibilidades de insônia
e muita fome nesse banquete que é a vida
em tudo espalhando tempero
irritando narizes sensíveis,
só de ver o gosto
de tantos seres sem sal
provando o que lhes falta...
A revolta muda
e o céu claro
para poder cantá-la.
eternizar o efêmero:
Um sorriso que nunca mais será o mesmo
e até mesmo o que há de ruim...
Marmorizar um acidente,
um amanhecer de ressaca,
os olhos da menina,
cílios inacreditáveis...
Meditar escatologicamente
sobre essa praga de piercing no umbigo,
trazer de longe lembranças quando o presente for pobre,
prever o futuro, que ainda pode ser mudado.
Possibilidades de insônia
e muita fome nesse banquete que é a vida
em tudo espalhando tempero
irritando narizes sensíveis,
só de ver o gosto
de tantos seres sem sal
provando o que lhes falta...
A revolta muda
e o céu claro
para poder cantá-la.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
nuances
E que tempestade seria suficiente
para semear nova liberdade...
E o sol estando lá,
fornecendo direção
livrando,
aquecendo.
Quando houver frio constante
as cores mais berrantes
cobrirão as cinzas
até que brote
tão frágil, a vida.
para semear nova liberdade...
E o sol estando lá,
fornecendo direção
livrando,
aquecendo.
Quando houver frio constante
as cores mais berrantes
cobrirão as cinzas
até que brote
tão frágil, a vida.
terça-feira, 16 de junho de 2009
ALFORRIA
Lânguida, lenta dose de pavor,
que se espalha ao mínimo toque.
Displicentemente revelada, por querer...
Mãos atadas, olhos vendados, entorpecido pelo
gosto de teu seio...
Pare.
Se sobrevivermos a mais essa noite,
seremos mais donos de nós mesmos
prontos a prestar póstumas homenagens
aos escravos que fomos.
que se espalha ao mínimo toque.
Displicentemente revelada, por querer...
Mãos atadas, olhos vendados, entorpecido pelo
gosto de teu seio...
Pare.
Se sobrevivermos a mais essa noite,
seremos mais donos de nós mesmos
prontos a prestar póstumas homenagens
aos escravos que fomos.
domingo, 26 de abril de 2009
.
Sua essência
é a própria aparência em si.
Com tudo brinca de esconde,
e o mundo pára...
Até que diga: - Continue!
A dura caminhada
em que lhe encontrei está aquém do seu termo.
Portanto
pode esperar qualquer coisa
desse negócio louco
que pula em seu peito.
é a própria aparência em si.
Com tudo brinca de esconde,
e o mundo pára...
Até que diga: - Continue!
A dura caminhada
em que lhe encontrei está aquém do seu termo.
Portanto
pode esperar qualquer coisa
desse negócio louco
que pula em seu peito.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Da melhora nem se lembrava
Morrendo de saudades da doença
Porta trancada por dentro
Com medo de espalhar tanta loucura
Sopra vento amarga ternura
Benção avarenta essa que me deste
Alimento pra mágoa que pode matar até.
De pé na sacada, sem proteção
Senta e voa
Afeição desmedida pela mesma pessoa
Bate, retine, ressoa.
Morrendo de saudades da doença
Porta trancada por dentro
Com medo de espalhar tanta loucura
Sopra vento amarga ternura
Benção avarenta essa que me deste
Alimento pra mágoa que pode matar até.
De pé na sacada, sem proteção
Senta e voa
Afeição desmedida pela mesma pessoa
Bate, retine, ressoa.
Displicente coerência com lógica infalível
Leva ao dorso de tua mão dormente
Nunca se espera o óbvio
E sofro, corro perigo, fumo a bordo do zepelim
O querer tão doce que queima
Assunto pertinente
Alma inconsciente que vaga
Disposta a tudo ou nada
No mar revolto por onde te vejo
Beijo cru, quase sem gosto...
Proposta de paz e amor.
Leva ao dorso de tua mão dormente
Nunca se espera o óbvio
E sofro, corro perigo, fumo a bordo do zepelim
O querer tão doce que queima
Assunto pertinente
Alma inconsciente que vaga
Disposta a tudo ou nada
No mar revolto por onde te vejo
Beijo cru, quase sem gosto...
Proposta de paz e amor.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Sem título ( outra )
Dá pra imaginar alguém dizendo:
- Cara, com uma dor assim, ou se faz arte ou suicida-se.
Dor fictícia.
Vazio.
Saudades de um grande drama, uma linda lição de vida, uma música que faça chorar, um olhar ingênuo perdido e a percepção da inutilidade se espalhando como a peste negra.
Talvez por isso os monges se chicoteassem, a reflexão do açoite, salmoura, pés em brasa depois de gozar.
Sabendo da volta das coisas que vão, é fácil esperar paciente.
E sabendo também que volta dar no cubo de rubick; mousse de fel, mel de flor espinhosa, de cardo.
O pouso quieto da mariposa de asas felpudas, e luar na cortina do quarto minguante.
Só letras de música na estante
podem ocupar o lugar dos sapatos.
Só uma caminhada estafante
consegue purgar a mente
de tanta porcaria interessante.
A dor das pernas ao deitar
faz lembrar
como é bom parar.
- Cara, com uma dor assim, ou se faz arte ou suicida-se.
Dor fictícia.
Vazio.
Saudades de um grande drama, uma linda lição de vida, uma música que faça chorar, um olhar ingênuo perdido e a percepção da inutilidade se espalhando como a peste negra.
Talvez por isso os monges se chicoteassem, a reflexão do açoite, salmoura, pés em brasa depois de gozar.
Sabendo da volta das coisas que vão, é fácil esperar paciente.
E sabendo também que volta dar no cubo de rubick; mousse de fel, mel de flor espinhosa, de cardo.
O pouso quieto da mariposa de asas felpudas, e luar na cortina do quarto minguante.
Só letras de música na estante
podem ocupar o lugar dos sapatos.
Só uma caminhada estafante
consegue purgar a mente
de tanta porcaria interessante.
A dor das pernas ao deitar
faz lembrar
como é bom parar.
VAGO
- Quem vem lá? Pergunta uma pedra à aproximação do pé poeirento de alguém descalço.
O que serve como reconhecimento entre as coisas, seres e tudo que não sabemos é isso mesmo que ignoramos e que nos aparece sem cessar, desde o momento atual até o derradeiro atual momento.
- Bom dia.
- Bom dia, como tem passado?
- Tenho, e bastante.
- Temos, temos.
- Tão sublime o canto que ouço.
- Devo apurar meus ouvidos...
Então não era o futuro, o que desponta em cada noite de vigília, emagrece mais que chá de almeirão.
- Posso lhe pedir uma coisa?
- Já está pedindo.
Beija a mão, torna palpável o indefinido, no final do corredor a porta de vidro pintada de sal.
- Não é tudo absurdo?
- Sim.
- Não é tudo coerente?
- Sim.
- Não sente medo?
- Sim.
- Não mente pra mim?
- Sim.
Palavras, palavras, a barreira que surge é transponível poliacabada a caminho.
- Sabe voar?
- Quem sabe...
O amor em qualquer nível, transcendente projétil de vida que tudo penetra.
- Desculpas.
- Só se fizer de novo.
- Tudo bem.
Por onze vezes fecha os olhos. Distribui agora tudo o que tem.
- Palavras.
- O que têm?
- Amarram.
- Está dissimulando.
- Está simulando o que disse?
Pode-se ser feliz. Ainda brilha. Está bem aqui, é quente como o seu.
- De agora em agora movo.
- Pode ser.
- Depois de você.
- Não.
- Juntos então.
- Sim.
O que serve como reconhecimento entre as coisas, seres e tudo que não sabemos é isso mesmo que ignoramos e que nos aparece sem cessar, desde o momento atual até o derradeiro atual momento.
- Bom dia.
- Bom dia, como tem passado?
- Tenho, e bastante.
- Temos, temos.
- Tão sublime o canto que ouço.
- Devo apurar meus ouvidos...
Então não era o futuro, o que desponta em cada noite de vigília, emagrece mais que chá de almeirão.
- Posso lhe pedir uma coisa?
- Já está pedindo.
Beija a mão, torna palpável o indefinido, no final do corredor a porta de vidro pintada de sal.
- Não é tudo absurdo?
- Sim.
- Não é tudo coerente?
- Sim.
- Não sente medo?
- Sim.
- Não mente pra mim?
- Sim.
Palavras, palavras, a barreira que surge é transponível poliacabada a caminho.
- Sabe voar?
- Quem sabe...
O amor em qualquer nível, transcendente projétil de vida que tudo penetra.
- Desculpas.
- Só se fizer de novo.
- Tudo bem.
Por onze vezes fecha os olhos. Distribui agora tudo o que tem.
- Palavras.
- O que têm?
- Amarram.
- Está dissimulando.
- Está simulando o que disse?
Pode-se ser feliz. Ainda brilha. Está bem aqui, é quente como o seu.
- De agora em agora movo.
- Pode ser.
- Depois de você.
- Não.
- Juntos então.
- Sim.
ORÁCULO
Há muito tempo, no reino da patagônia ( ou qualquer outro nome que pareça distante e quase irreal ) havia um rei.Um rei passivo.
Súditos sussurravam-lhe com os olhos tudo aquilo que devia fazer, e ele, sem qualquer hesitação, cumpria todas as ordens, uma a uma, respectivamente, por mais contraditórias que fossem entre si.
Ninguém nesse lugar conhecia o tédio, não havia sequer uma palavra para designar esse sentimento, tão comum ao homem atual, e convenhamos tão desgastante.
Tudo era o novo, o tempo todo, principalmente para o rei, tão atarefado estava no cumprimento do seu dever.
Seu salão era composto de inúmeros lugares, onde o povo sentava para observar, e sem saber, comanda - lo.
Ele ficava do início ao fim de cada período, dentro de um invólucro brilhante, que mudava constantemente de cor; percebia tudo o que se passava, mas ninguém o via. Colhia todos os olhares e dava a cada qual e tirava a cada qual conforme as ordens recebidas.
Sempre acontecia de um súdito ( geralmente criança ) maravilhar-se com alguma mudança de cor no invólucro real, ao que sucediam-se construções muito específicas no reino. Na verdade, não havia lugar em que se caminhasse, sem ver, longe ou perto, uma construção de olhar maravilhado de criança.
Algumas precauções eram tomadas na entrada do salão do rei: ninguém entrava armado, nem podia despojar-se de suas vestes.
Viajantes eram bem vindos, e homens e mulheres e crianças e idosos. Cartas eram remetidas para todo o reino, lembrando os habitantes da importância de acompanhar as mudanças de cor no invólucro real, que era chamado com justiça de “oráculo”.
Cada cor, matiz, tom mais ou menos luminoso ou sombrio, era interpretada pelos “sábios” que “profetizavam” ou “vaticinavam” mudanças que haveriam de ocorrer, em maior ou menor espaço de tempo.
Frequentemente, os “sábios” erravam em suas previsões, uma vez que não sabiam exatamente o que era o “oráculo” e como ele dizia (assim acreditavam) o que iria acontecer.
Mas acabaram percebendo que as construções de olhar maravilhado de criança tinham relações com mudanças de cor especialmente harmônicas e belas – eles chamavam essas construções de outros nomes ( tão variados que seria tarefa árdua, inútil e enfadonha enumera-los).
É claro que não eram as únicas, mas eram, com certeza, as mais bonitas.
Muitas pessoas iam ao salão.
Muitas coisas foram criadas.
Muito tempo passou desde então.
Todos mudaram.
Os olhares mudaram.
As coisas amadurecem, caso vocês não saibam, o tempo passa, pessoas nascem e morrem, não há dois dias em que a manhã seja exatamente igual, a maré sobe e desce, cachorros saltam para pegar seus ossos e ninguém (ou bem poucas pessoas silenciosas) sabe por onde gira a roda da causalidade.
Com o tempo, o salão aumentou muito, e cada construção de olhar maravilhado de criança tornou-se um “oráculo”.
Súditos sussurravam-lhe com os olhos tudo aquilo que devia fazer, e ele, sem qualquer hesitação, cumpria todas as ordens, uma a uma, respectivamente, por mais contraditórias que fossem entre si.
Ninguém nesse lugar conhecia o tédio, não havia sequer uma palavra para designar esse sentimento, tão comum ao homem atual, e convenhamos tão desgastante.
Tudo era o novo, o tempo todo, principalmente para o rei, tão atarefado estava no cumprimento do seu dever.
Seu salão era composto de inúmeros lugares, onde o povo sentava para observar, e sem saber, comanda - lo.
Ele ficava do início ao fim de cada período, dentro de um invólucro brilhante, que mudava constantemente de cor; percebia tudo o que se passava, mas ninguém o via. Colhia todos os olhares e dava a cada qual e tirava a cada qual conforme as ordens recebidas.
Sempre acontecia de um súdito ( geralmente criança ) maravilhar-se com alguma mudança de cor no invólucro real, ao que sucediam-se construções muito específicas no reino. Na verdade, não havia lugar em que se caminhasse, sem ver, longe ou perto, uma construção de olhar maravilhado de criança.
Algumas precauções eram tomadas na entrada do salão do rei: ninguém entrava armado, nem podia despojar-se de suas vestes.
Viajantes eram bem vindos, e homens e mulheres e crianças e idosos. Cartas eram remetidas para todo o reino, lembrando os habitantes da importância de acompanhar as mudanças de cor no invólucro real, que era chamado com justiça de “oráculo”.
Cada cor, matiz, tom mais ou menos luminoso ou sombrio, era interpretada pelos “sábios” que “profetizavam” ou “vaticinavam” mudanças que haveriam de ocorrer, em maior ou menor espaço de tempo.
Frequentemente, os “sábios” erravam em suas previsões, uma vez que não sabiam exatamente o que era o “oráculo” e como ele dizia (assim acreditavam) o que iria acontecer.
Mas acabaram percebendo que as construções de olhar maravilhado de criança tinham relações com mudanças de cor especialmente harmônicas e belas – eles chamavam essas construções de outros nomes ( tão variados que seria tarefa árdua, inútil e enfadonha enumera-los).
É claro que não eram as únicas, mas eram, com certeza, as mais bonitas.
Muitas pessoas iam ao salão.
Muitas coisas foram criadas.
Muito tempo passou desde então.
Todos mudaram.
Os olhares mudaram.
As coisas amadurecem, caso vocês não saibam, o tempo passa, pessoas nascem e morrem, não há dois dias em que a manhã seja exatamente igual, a maré sobe e desce, cachorros saltam para pegar seus ossos e ninguém (ou bem poucas pessoas silenciosas) sabe por onde gira a roda da causalidade.
Com o tempo, o salão aumentou muito, e cada construção de olhar maravilhado de criança tornou-se um “oráculo”.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Inveja
Hoje senti uma vontade irresistível de ser varredor de rua.
Estava cuidando do meu pacientinho e desci pra fumar um cigarro
( o vício, o vício ). Então, ao pé do edifício, comecei o meu ritual: cigarro na boca, isqueiro, puxa, abre o halls, fuma. A primeira impressão foi aquela satisfação que só os fumantes conhecem
- apenas cinco por cento deles morrem de câncer, que aliás é meu signo.
Mas a sensação costumeira veio acompanhada de um deleite auditivo; um ruído rítmico, quase melódico, de folhas varridas me arrebatou, então senti tudo: O vento no rosto, o cigarro, halls de cereja, beatitude, paz, paz, paz.
Senti vontade de atravessar a rua e pedir: - Senhor, empresta a vassoura? Aquele exercício suave, feito na manhã de um dia nublado em curitiba me faria bem, cumprimentaria todos que encontrasse, sempre sorrindo.
Só não gostei do laranja-mais-que-laranja do uniforme-estigma, deve ser isso. Lembrei-me de huxley e seu admirável mundo de alfas, deltas e tais.
O prazer foi fugaz, como todos são. Enquanto piso na bituca, decido incluir entre os meus poucos sonhos de consumo árvores no quintal e uma calçada pra poder varrer de manhã.
Hoje senti uma vontade irresistível de ser varredor de rua.
Estava cuidando do meu pacientinho e desci pra fumar um cigarro
( o vício, o vício ). Então, ao pé do edifício, comecei o meu ritual: cigarro na boca, isqueiro, puxa, abre o halls, fuma. A primeira impressão foi aquela satisfação que só os fumantes conhecem
- apenas cinco por cento deles morrem de câncer, que aliás é meu signo.
Mas a sensação costumeira veio acompanhada de um deleite auditivo; um ruído rítmico, quase melódico, de folhas varridas me arrebatou, então senti tudo: O vento no rosto, o cigarro, halls de cereja, beatitude, paz, paz, paz.
Senti vontade de atravessar a rua e pedir: - Senhor, empresta a vassoura? Aquele exercício suave, feito na manhã de um dia nublado em curitiba me faria bem, cumprimentaria todos que encontrasse, sempre sorrindo.
Só não gostei do laranja-mais-que-laranja do uniforme-estigma, deve ser isso. Lembrei-me de huxley e seu admirável mundo de alfas, deltas e tais.
O prazer foi fugaz, como todos são. Enquanto piso na bituca, decido incluir entre os meus poucos sonhos de consumo árvores no quintal e uma calçada pra poder varrer de manhã.
Quem nunca dançou na penumbra
ao som de uma música esquecida e lembrada
nem sequer nasceu.
desfaz – se a numbra
e a melodia molhada
que outrora inspirou palavras retiradas de onde não sei.
Que continuem a escrever cartas importantes
eu cá, fuçando velhos livros
nos cumprimentaremos ao cruzar os olhos
mas estaremos tão longe...
ao som de uma música esquecida e lembrada
nem sequer nasceu.
desfaz – se a numbra
e a melodia molhada
que outrora inspirou palavras retiradas de onde não sei.
Que continuem a escrever cartas importantes
eu cá, fuçando velhos livros
nos cumprimentaremos ao cruzar os olhos
mas estaremos tão longe...
domingo, 18 de janeiro de 2009
PASSEIO VI
Brisa fresca, quase fria, pessoas que passam sem deixar
qualquer impressão.
Supera - se a dor de cabeça e desperdiça - se o que há no coração.
À noite seria mais claro com seus olhos.
E no copo, a vodka me diz não sei o que.
O solo bem macio, como após o arado, mesmo depois de se despedir,
e pedir não me esqueça.
qualquer impressão.
Supera - se a dor de cabeça e desperdiça - se o que há no coração.
À noite seria mais claro com seus olhos.
E no copo, a vodka me diz não sei o que.
O solo bem macio, como após o arado, mesmo depois de se despedir,
e pedir não me esqueça.
ABSTINÊNCIA
Amor é tema comum
não vale falar disso ( que pena o quê )
pra quê?
Nem sentido faz
fazer alarde de hormônios,
endorfinas mil, neurotransmissores,
ou a outra parte, mais úmida...
Metáforas com plantas ou pedaços de carne.
Tudo soa tão chato...
Sobre o sentido da vida, fora o de procurar o sentido...
Enfim, amar incomoda.
Não deixa dormir direito,
causa arritmia, sudorese, palidez, diarreia,
constipação, dá febre, dor, aflição,
breves períodos de apnéia
e o pior de tudo é que alimenta,
e sua falta mata.
não vale falar disso ( que pena o quê )
pra quê?
Nem sentido faz
fazer alarde de hormônios,
endorfinas mil, neurotransmissores,
ou a outra parte, mais úmida...
Metáforas com plantas ou pedaços de carne.
Tudo soa tão chato...
Sobre o sentido da vida, fora o de procurar o sentido...
Enfim, amar incomoda.
Não deixa dormir direito,
causa arritmia, sudorese, palidez, diarreia,
constipação, dá febre, dor, aflição,
breves períodos de apnéia
e o pior de tudo é que alimenta,
e sua falta mata.
UM SÓ
Se não fosse fácil, nem tentaria.
Espero tê-la servido a contento.
Migalhas de espaço, espalharia
entre nós, ao vento
salina a cegar os olhos
numa gota do teu suor
saindo e já volto ao teu colo
sentindo cada vez melhor
melhor seria
quando fosse e acabasse
que é pra poder sentir falta
poder sentir quão alta a muralha
entre os mundos tão próximos
que até parecem um só.
Espero tê-la servido a contento.
Migalhas de espaço, espalharia
entre nós, ao vento
salina a cegar os olhos
numa gota do teu suor
saindo e já volto ao teu colo
sentindo cada vez melhor
melhor seria
quando fosse e acabasse
que é pra poder sentir falta
poder sentir quão alta a muralha
entre os mundos tão próximos
que até parecem um só.
ME ACONCHEGA EM TEU COLO
Efêmero frescor que tudo arrefece
me leva pra sempre na força
dessa prece.
Tônica sílaba onde se muda o acorde
rifa, desdenhosa o prêmio que alcançaste.
Guindaste luminoso do farol da menina dos olhos.
Eleva meu sentimento até o quase desespero
vence a inércia e me
aconchega em teu colo.
me leva pra sempre na força
dessa prece.
Tônica sílaba onde se muda o acorde
rifa, desdenhosa o prêmio que alcançaste.
Guindaste luminoso do farol da menina dos olhos.
Eleva meu sentimento até o quase desespero
vence a inércia e me
aconchega em teu colo.
DESÁGUA
Deságua tanto sentido
no mar da inutilidade
que a maré
de ressaca
sem ordem ou pedido
desfaz as calçadas
onde caminha a criança
com pressa morosa
por que brinca
e maravilha - se
com o inexorável
bichinho do futuro
que cresce na pedra quebrada.
no mar da inutilidade
que a maré
de ressaca
sem ordem ou pedido
desfaz as calçadas
onde caminha a criança
com pressa morosa
por que brinca
e maravilha - se
com o inexorável
bichinho do futuro
que cresce na pedra quebrada.
VAI NA FRENTE
Vai na frente, lampejo
de luz.
ilumina, cega, ofusca e seduz
o anjo...
Diz pra ele que só
peco em último caso
e quase sempre durmo em paz...
Que me apraz pisar
em brasas pra refrescar
a alma, tão forte de
procurar seu propósito.
de luz.
ilumina, cega, ofusca e seduz
o anjo...
Diz pra ele que só
peco em último caso
e quase sempre durmo em paz...
Que me apraz pisar
em brasas pra refrescar
a alma, tão forte de
procurar seu propósito.
BORBOLETAS
Borboletas e bolhas de sabão esvaneciam - se
sob a tutela de um olhar triste
como se, com o dedo em riste
a seriedade prevalecesse.
A alegria desvanecesse.
Esse estado de coisas
Foi o início de um caminhar
tranquilo e apressado
consonante o amor que se faz
antes de sair.
sob a tutela de um olhar triste
como se, com o dedo em riste
a seriedade prevalecesse.
A alegria desvanecesse.
Esse estado de coisas
Foi o início de um caminhar
tranquilo e apressado
consonante o amor que se faz
antes de sair.
DE ONDE VIM
Nos tempos del rey
as tardes longas tanto
as mangas nas cordas
do violão
e a ameaça da solidão
apenas possível
como a sombra de uma forca
sobre um chão poeirento
e um esquelético cão
aguarda alimento das mãos alheias
mãos essas também esfomeadas,
insaciáveis...
Lugares tão inabitáveis,
insalubres,
que fazem lembrar de onde vim.
as tardes longas tanto
as mangas nas cordas
do violão
e a ameaça da solidão
apenas possível
como a sombra de uma forca
sobre um chão poeirento
e um esquelético cão
aguarda alimento das mãos alheias
mãos essas também esfomeadas,
insaciáveis...
Lugares tão inabitáveis,
insalubres,
que fazem lembrar de onde vim.
DESCULPA ESFARRAPADA
Melhor do que o estágio inicial da
embriaguez é a coberta
aquecendo antes de acordar
e constatar a
inesperada nudez.
embriaguez é a coberta
aquecendo antes de acordar
e constatar a
inesperada nudez.
TAOZICE
Fluidez, receptividade, timidez e espontaniedade.
Equilíbrio dinâmico, fluxo.
Beleza, brilho, abundância úmida de lágrimas...
Passa e seca.
Equilíbrio dinâmico, fluxo.
Beleza, brilho, abundância úmida de lágrimas...
Passa e seca.
FELIZES OU NÃO
Passear pela realidade salpicada de ilusão,
regar o amor com sangue, até a anemia.
Com um misto de alegria e aflição dizer:
" - Fica um pouco mais, és tão lindo! "
Sentir o corpo caindo...
Planos, planaltos, planícies, militância.
Através do desespero e da esperança
depois de uma idade apenas diferente,
compreender o sorriso de uma criança
impregnado de malícia inocente
antes que chegue o sono e leve a todos,
felizes ou não.
Perder de vista as peças de roupa.
Passearmos livres de qualquer pressa,
de qualquer peça.
Sempre foi bom te olhar nos olhos
e agora o ar está frio.
Milhares de seres sem par
serpenteiam seus solos soltos
livres no ar.
Impregnados de malícia inocente.
antes que chegue o sono e leve a todos,
felizes ou não.
regar o amor com sangue, até a anemia.
Com um misto de alegria e aflição dizer:
" - Fica um pouco mais, és tão lindo! "
Sentir o corpo caindo...
Planos, planaltos, planícies, militância.
Através do desespero e da esperança
depois de uma idade apenas diferente,
compreender o sorriso de uma criança
impregnado de malícia inocente
antes que chegue o sono e leve a todos,
felizes ou não.
Perder de vista as peças de roupa.
Passearmos livres de qualquer pressa,
de qualquer peça.
Sempre foi bom te olhar nos olhos
e agora o ar está frio.
Milhares de seres sem par
serpenteiam seus solos soltos
livres no ar.
Impregnados de malícia inocente.
antes que chegue o sono e leve a todos,
felizes ou não.
INEXORÁVEL
A maior agressão ao silêncio é não ter nada a dizer.
Sem nada pra explicar, sem nada pra fazer.
Apenas ouvir a solidão da mente insegura,
pensando no amanhã pra se sentir madura.
Se lembra de tudo que vai acontecer
e sente saudades por nós dois, de um ventre a aquecer.
Quero torcer pra que não saia
não vou pedir para que vá (será que tudo se mantém?)
agora me despeço de mim
para poder ser alguém.
O adeus foi triste
o abraço, demorado
não berro mais no ônibus,
nunca subo no telhado.
Tudo isso foi bobagem?
Ter medo de vencer?
Não nos sobra um segundo
não temos hora pra morrer...
me despedaço para ter
uma casinha de varanda
e um carro pra bater
meus filhos brincam de ciranda
enquanto eu vejo tv...
- Quer ser igual ao pai, menino?
Amanhã nós vamos ver.
Sem nada pra explicar, sem nada pra fazer.
Apenas ouvir a solidão da mente insegura,
pensando no amanhã pra se sentir madura.
Se lembra de tudo que vai acontecer
e sente saudades por nós dois, de um ventre a aquecer.
Quero torcer pra que não saia
não vou pedir para que vá (será que tudo se mantém?)
agora me despeço de mim
para poder ser alguém.
O adeus foi triste
o abraço, demorado
não berro mais no ônibus,
nunca subo no telhado.
Tudo isso foi bobagem?
Ter medo de vencer?
Não nos sobra um segundo
não temos hora pra morrer...
me despedaço para ter
uma casinha de varanda
e um carro pra bater
meus filhos brincam de ciranda
enquanto eu vejo tv...
- Quer ser igual ao pai, menino?
Amanhã nós vamos ver.
VISÃO
Qualquer coisa alegre, profunda, entremeada de ilusão.
Uma ninfa chorando lágrimas de sangue,
que se simulam, misturam-se ao vinho.
As ancas vermelhas, como a canção derramada.
Uma ninfa chorando lágrimas de sangue,
que se simulam, misturam-se ao vinho.
As ancas vermelhas, como a canção derramada.
PASSEIO
Pendura no cristal as lembranças mais caras
desfolha e guarda as pétalas perdidas
empenha por pouco essas jóias raras
calma, calma, pra que tanta vida?
Adorna seus sonhos com ação descabida
parece mais perto o canto abafado
enquanto deixamos o estranho na sala
algo íntimo desperta o que não há ao lado.
Perfeito começo, a mente arada
do coração partem sementes sortidas
floresce e a nova espiga nascida
demarca o solo então renovado.
À procura da forma mais apurada, quase linda, quase nada...
Ao cruzar uma estrada querida
é difícil não olhar pro lado
segue, a cabeça erguida
a lágrima seca
e o punho cerrado.
desfolha e guarda as pétalas perdidas
empenha por pouco essas jóias raras
calma, calma, pra que tanta vida?
Adorna seus sonhos com ação descabida
parece mais perto o canto abafado
enquanto deixamos o estranho na sala
algo íntimo desperta o que não há ao lado.
Perfeito começo, a mente arada
do coração partem sementes sortidas
floresce e a nova espiga nascida
demarca o solo então renovado.
À procura da forma mais apurada, quase linda, quase nada...
Ao cruzar uma estrada querida
é difícil não olhar pro lado
segue, a cabeça erguida
a lágrima seca
e o punho cerrado.
BAFORADA INSONE
Um oráculo mais natural que a fumaça após uma tragada talvez mentisse.
Ou também não mostrasse nada.
É.
Parceiros distantes, paradeiros cintilantes cobertos de pó de diamante
e lágrimas.
Milagres, vinho transformado em vinagre
com azeite e sal na minha salada de agrião.
Ou também não mostrasse nada.
É.
Parceiros distantes, paradeiros cintilantes cobertos de pó de diamante
e lágrimas.
Milagres, vinho transformado em vinagre
com azeite e sal na minha salada de agrião.
TRAUMA BOM
-"Nunca pare de escrever." Me disse certa vez uma mulher que eu hesitava em olhar
fundo nos olhos. Olhava nos olhos, mas daquela forma superficial que a gente olha
quando mente. Não mentia porém. Palavras cravadas na carne, criam vida, alimentadas
igualmente pelo sangue que nos nutre e que um dia dirá: - Acabou. O melhor que pude
fazer foi lavar as mãos, antes que o cheiro de cigarro causasse mal - estar em
quem quer que fosse. porque somos desagradáveis, caso não saibam, e ainda tem
gente que gosta de nós.
fundo nos olhos. Olhava nos olhos, mas daquela forma superficial que a gente olha
quando mente. Não mentia porém. Palavras cravadas na carne, criam vida, alimentadas
igualmente pelo sangue que nos nutre e que um dia dirá: - Acabou. O melhor que pude
fazer foi lavar as mãos, antes que o cheiro de cigarro causasse mal - estar em
quem quer que fosse. porque somos desagradáveis, caso não saibam, e ainda tem
gente que gosta de nós.
MÚSICA
Intui inteira na primeira frase.
Fase longa de batidas descompassadas.
Harmonia quieta, imperceptível.
Interrogações em cada acorde repreensível
O GRITO.
O UIVO.
A ORAÇÃO.
Um "caminho com um coração"?
Fase longa de batidas descompassadas.
Harmonia quieta, imperceptível.
Interrogações em cada acorde repreensível
O GRITO.
O UIVO.
A ORAÇÃO.
Um "caminho com um coração"?
SEM TÍTULO II
Não desespera do lúdico por acreditar-se prática,
seria uma estúpida tática.
Aprecia o que vê, o que ouve, sem se prender à estética
seria uma farsa patética.
Destrói o que fez de errado sem atingir tudo em volta
e o mal - acabado faz falta.
seria uma estúpida tática.
Aprecia o que vê, o que ouve, sem se prender à estética
seria uma farsa patética.
Destrói o que fez de errado sem atingir tudo em volta
e o mal - acabado faz falta.
META - ALGO
Onde quer que você esteja
estarei onde não me veja
nem verei você
entre quem beija
e desdiz
limite - porto entre a virgem e a meretriz
ou vice-versa.
estarei onde não me veja
nem verei você
entre quem beija
e desdiz
limite - porto entre a virgem e a meretriz
ou vice-versa.
INDEPENDÊNCIA E MORTE
Apartai-vos uns dos outros
para numa autotortura desgastante
entre sonhos agonizantes
pálidos palhaços, mendicantes
procurar entre si
espelhos para amar.
para numa autotortura desgastante
entre sonhos agonizantes
pálidos palhaços, mendicantes
procurar entre si
espelhos para amar.
SÍNDROME DE PETER PAN
Reação automática à ausência de forma
gotas tão claras, sábias dançando com alma
e quem não se sentiria ótimo ao partir
com tão densa neblina a refrescar o calor.
Flores crescidas nas mãos de ninguém
os anjos tão pálidos cantando um réquiem
e cisco no olho fazendo piscar
alguém pra se confundir achando que é um sinal...
Assim que o poema acabar
preciso tequila com sal
queimando lá dentro de mim.
E sempre que lembro do mal
quem sabe me identificar
acha que acaba assim.
Mesmo que chova eu vou pra casa
mesmo que precise de asas
ou pó de pirilimpimpim
tantos abracadabras...
Onde buscar duas asas
e com os próprios olhos
e com os próprios olhos
onde encontrar duas asas
escalar o abismo pra ver se chega
ao fundo
mesmo querendo cair
peralá que agora
já tá tudo lá fora
esperando por mim.
gotas tão claras, sábias dançando com alma
e quem não se sentiria ótimo ao partir
com tão densa neblina a refrescar o calor.
Flores crescidas nas mãos de ninguém
os anjos tão pálidos cantando um réquiem
e cisco no olho fazendo piscar
alguém pra se confundir achando que é um sinal...
Assim que o poema acabar
preciso tequila com sal
queimando lá dentro de mim.
E sempre que lembro do mal
quem sabe me identificar
acha que acaba assim.
Mesmo que chova eu vou pra casa
mesmo que precise de asas
ou pó de pirilimpimpim
tantos abracadabras...
Onde buscar duas asas
e com os próprios olhos
e com os próprios olhos
onde encontrar duas asas
escalar o abismo pra ver se chega
ao fundo
mesmo querendo cair
peralá que agora
já tá tudo lá fora
esperando por mim.
CONFISSÃO
Sim, aconteceu realmente...
Por isso mesmo é que minto.
Enquanto vagas contente
livre do peso que carrego
para que possas fazer algo que me salve.
Por isso mesmo é que minto.
Enquanto vagas contente
livre do peso que carrego
para que possas fazer algo que me salve.
ESCULTURA
Fechei os olhos.
Oh, ilusão, se senhor de tuas graças fosse,
não escravo revolto...
Te moldasse, qual barro, o quanto quisesse,
tu, de doce, te farias amarga,
feia,
castrada.
Ou seria em encantos multiplicada,
Assombrando a ti e a mim mesmo
pela surpresa de tudo quanto me ensinaste.
Oh, ilusão, se senhor de tuas graças fosse,
não escravo revolto...
Te moldasse, qual barro, o quanto quisesse,
tu, de doce, te farias amarga,
feia,
castrada.
Ou seria em encantos multiplicada,
Assombrando a ti e a mim mesmo
pela surpresa de tudo quanto me ensinaste.
LUA
Do perecível construiu i - mortalidades.
Vagou em nuvens sólidas como aço.
Pálida, sozinha, cozinhou raízes
em leite coalhado.
Do queijo cortou a metade,
deu aos pobres...
comeu um pedaço e aquela noite não dormiu.
Vagou em nuvens sólidas como aço.
Pálida, sozinha, cozinhou raízes
em leite coalhado.
Do queijo cortou a metade,
deu aos pobres...
comeu um pedaço e aquela noite não dormiu.
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