segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inveja

Hoje senti uma vontade irresistível de ser varredor de rua.
Estava cuidando do meu pacientinho e desci pra fumar um cigarro
( o vício, o vício ). Então, ao pé do edifício, comecei o meu ritual: cigarro na boca, isqueiro, puxa, abre o halls, fuma. A primeira impressão foi aquela satisfação que só os fumantes conhecem
- apenas cinco por cento deles morrem de câncer, que aliás é meu signo.
Mas a sensação costumeira veio acompanhada de um deleite auditivo; um ruído rítmico, quase melódico, de folhas varridas me arrebatou, então senti tudo: O vento no rosto, o cigarro, halls de cereja, beatitude, paz, paz, paz.
Senti vontade de atravessar a rua e pedir: - Senhor, empresta a vassoura? Aquele exercício suave, feito na manhã de um dia nublado em curitiba me faria bem, cumprimentaria todos que encontrasse, sempre sorrindo.
Só não gostei do laranja-mais-que-laranja do uniforme-estigma, deve ser isso. Lembrei-me de huxley e seu admirável mundo de alfas, deltas e tais.
O prazer foi fugaz, como todos são. Enquanto piso na bituca, decido incluir entre os meus poucos sonhos de consumo árvores no quintal e uma calçada pra poder varrer de manhã.

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