Dá pra imaginar alguém dizendo:
- Cara, com uma dor assim, ou se faz arte ou suicida-se.
Dor fictícia.
Vazio.
Saudades de um grande drama, uma linda lição de vida, uma música que faça chorar, um olhar ingênuo perdido e a percepção da inutilidade se espalhando como a peste negra.
Talvez por isso os monges se chicoteassem, a reflexão do açoite, salmoura, pés em brasa depois de gozar.
Sabendo da volta das coisas que vão, é fácil esperar paciente.
E sabendo também que volta dar no cubo de rubick; mousse de fel, mel de flor espinhosa, de cardo.
O pouso quieto da mariposa de asas felpudas, e luar na cortina do quarto minguante.
Só letras de música na estante
podem ocupar o lugar dos sapatos.
Só uma caminhada estafante
consegue purgar a mente
de tanta porcaria interessante.
A dor das pernas ao deitar
faz lembrar
como é bom parar.
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